quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Últimas horas de D. L. Moody e do filósofo Voltaire



Dois relatos Do Livro: O que eles disseram a um passo da eternidade (organizador: John Myers)- Editora D’Sena- 2002-)

Página 27

4-Dwight L. Moody

Para o mundo, 22 de dezembro foi o dia mais curto do ano; para D. L. Moody, seu alvorecer em 1899 conduziu-o para aquele dia que não conhece noite. Durante quarenta e quatro anos, ele participara da vida divina, por isso a transição do visível para o invisível, da esfera temporal para a eterna, não foi uma interrupção em sua vida. Em outras dimensões ele continuou a servir o Mestre, cuja causa amava com devoção e servia com energia incansável.

Até poucas horas antes do fim, Moody partilhou com a família a convicção de que ele estava melhorando. No dia anterior, ele parecera mais nervoso que o normal, mas falou alegremente a respeito de si mesmo. Respondendo a uma pergunta sobre se ele se sentia bem, disse:

“Oh! Sim! Deus é muito bom para mim - e minha família também.”

Nenhum homem amava a sua família e seu trabalho mais devotadamente do que ele, e frequentemente dizia:

“Minha vida tem sido muito boa; não há posição de poder ou riqueza que possa me tentar a abandonar o trono no qual Deus me colocou.” Não foi por estar cansado da vida nem por querer parar de trabalhar que ele estava tão pronto para partir, pois conhecia a alegria do serviço cristão como poucos haviam experimentado.

A chamada final veio inesperadamente. Durante metade da noite, seu genro esteve ao lado de seu leito velando-lhe o sono. Moody dormiu a maior parte do tempo. Às três horas da manhã, seu filho W. R. Moody veio para junto dele. Durante algumas horas, ele esteve inquieto e sem conseguir dormir, mas por volta das seis horas da manhã ele se acalmou e adormeceu.

Cerca de uma hora depois, ele acordou. De repente, seu filho o ouviu falar com palavras lentas e bem medidas: “A terra desvanece – o céu se abre diante de mim”.

O primeiro impulso de seu filho foi tentar despertá-lo daquilo que lhe parecia um sonho.

“Não, Will, não é um sonho”, ele disse. “É lindo ! É como um êxtase! Se isto é a morte, então é doce morrer! Não há tristeza aqui! Deus está me chamando e eu preciso ir!

Enquanto isso, a enfermeira estava chamando a família e o médico, que havia passado a noite na casa. Moody continuou a falar suavemente, parecendo que proferia de outro mundo suas últimas mensagens aos entes queridos que estava deixando.

“Sempre fui um homem ambicioso”, ele disse, “não para deixar-lhes riquezas ou propriedades, mas para deixar-lhes muito trabalho a ser feito. Você cuidará de Monte Hermon; Paul assumirá o Seminário, quando estiver um pouco mais velho; Fitt tomará conta do Instituto, e Amber (seu sobrinho) vai ajudar todos vocês no dia-a-dia dos negócios”.

Então, pareceu como se ele estivesse enxergando além do véu, porque exclamou:

“Este é o meu triunfo, este é o dia da minha coroação! Eu o desejei por muitos anos.”

Então seu rosto se iluminou, e ele disse numa voz extasiada de alegria: “Dwight! Irene! Eu vejo os rostos das crianças” (referindo-se aos dois netinhos que Deus havia levado no ano anterior).

Com isto ele ficou inconsciente. Até então, nenhum medicamento lhe havia sido administrado. Desta vez, ele recebeu estimulantes cardíacos e, em meia hora, se recuperou. Ao recobrar a consciência, proferiu debilmente estas palavras: “Não há dor! Não há tristeza!”

Logo depois, mais reanimado, ele acrescentou: “Se isto é morte, não é nada mau! É doce!”

Um pouco mais tarde, de repente se erguendo no seu cotovelo, exclamou: “O que significa tudo isto ? O que vocês todos estão fazendo aqui ?”.

Sua esposa explicou que ele não tinha passado bem, e imediatamente tudo se esclareceu na sua mente- e ele disse: “Que coisa estranha! Eu estive além das portas da morte, até os verdadeiros portais do Céu, e aqui estou eu de volta de novo. É muito estranho!”

Um pouco mais tarde, ele disse de novo: “Este é o dia da minha coroação! É glorioso!”, e falou sobre o trabalho que estava deixando para trás, designando seus dois filhos para tomar conta das escolas de Northfield, e sua filha e genro, para o Instituto Bíblico de Chicago. Quando lhe perguntaram qual seria a responsabilidade de sua esposa, ele disse: “Oh, mamãe é como Eva, a mãe de todos nós!”

Em resposta ao apelo urgente de que ele permanecesse mais um tempo com sua família, ele disse:

“Não vou jogar fora a minha vida. Ficarei o quanto Deus quiser que eu fique; mas se for a minha hora, estou pronto”.

Depois disse algo que demonstrou quão clara estava sua mente, porque comentou com deliberação: “Hoje é dia 22 de dezembro, não é ? Hoje faz exatamente cinco meses que Irene faleceu...e neste mesmo quarto”. Na verdade fora apenas havia quatro meses, mas qualquer um poderia cometer tal erro.

Até a última hora ele estava pensando nos seus e preocupando-se com eles. Voltando-se para sua esposa, um pouquinho antes de partir, disse-lhe: “Isto é terrível para você, mamãe; é um choque tremendo. Sinto muito por entristece-la desta maneira. Prepare-s. É muito difícil ficar sob tanta ansiedade”.

Poucos minutos antes do meio dia, ele estava visivelmente sucumbindo novamente. O médico aproximou-se para aplicar uma outra injeção hipodérmica de nitroglicerina, e Moody olhou para ele de um modo indagador e indeciso, e disse de forma perfeitamente natural: “Doutor, eu não sei, mas o senhor acha que é sensato fazer isto ?”. O médico respondeu que ele achava que seria bom.

“Bem”, disse Moody, “só vai prolongar a agonia da minha família!” O médico desistiu, vendo que a vida do paciente não poderia ser salva. Alguns minutos depois, Moody sucumbiu para acordar na presença daquele a quem ele amava e tinha servido por tanto tempo tão fielmente.

Não parecia morte, pois adormeceu suave e tranquilamente; e não foi difícil imaginar a sua recepção no outro mundo pela multidão de entes queridos que aguardavam a sua chegada. A misericórdia de Deus envolveu todo o acontecimento de tal forma que a realidade da morte e o seu aguilhão foram totalmente removidos.

-Shorter Life of D. L. Moody de A. P. Fitt, Moody Press.

Página 26

3-Últimas horas do incrédulo Voltaire

Quando Voltaire- pensador e escritor mundano francês- sentiu o duro golpe que o levaria à morte, ficou possuído de remorso. Recorreu imediatamente a um sacerdote e expressou seu desejo de se “reconciliar com a igreja”. Seus bajuladores, infiéis como ele, correram ao seu quarto para impedir que ele se retratasse, mas isso serviu apenas para que testemunhassem sua própria ignomínia e a dele. Ele os esconjurou face a face e, como sua aflição aumentasse com sua presença ali, ele exclamou várias vezes em voz alta: “Fora ! Foram vocês que me trouxeram a esta condição. Deixem-me. Repito- vão embora ! Que glória infame foi essa que vocês prepararam para mim !”.

Esperando aliviar sua angústia por meio de uma retratação escrita ele a preparou, assinou e a viu atestada. Isso tudo, porém, foi inútil. Durante dois meses ele se viu torturado por uma intensa agonia que o levava às vezes a ranger os dentes sob a fúria impotente contra Deus e os seres humanos. Outras vezes, em tom súplice, clamava: “Ó Cristo! Ó Senhor Jesus!”. Em seguida, voltava o rosto de lado e gritava: “Devo morrer- abandonado por Deus e pelos homens!”.

Ao aproximar-se o fim, sua condição se tornou tão chocante que seus amigos descrentes tinham medo de se aproximar de seu leito. Entretanto, bloquearam a porta para impedir que outros vissem a forma horrível como um infiel era obrigado a morrer. Até mesmo sua enfermeira dizia repetidamente que nem por toda a riqueza da Europa ela jamais voltaria a ver outro incrédulo morrer. Foi uma cena de horror que vai além de todo o exagero.

Tal foi o comprovado fim desse homem que possuía um intelecto privilegiado, excelente educação, grande riqueza e muita honraria mundana.

-Em O Contraste Entre a Infidelidade e o Cristianismo.

(Do Livro: O que eles disseram a um passo da eternidade (organizador: John Myers)- Editora D’Sena- 2002-)- Neste livro encontramos 219 relatos de homens e mulheres, dentre fieis a Deus e incrédulos, rebeldes ao cristianismo, nos seus últimos momentos neste mundo.

Um comentário:

  1. Espero que gostem destes dois textos retirados do livro O que eles disseram a um passo da eternidade.

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