Dois relatos Do Livro: O que eles disseram a um passo da eternidade
(organizador: John Myers)- Editora D’Sena- 2002-)
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4-Dwight L. Moody
Para o mundo,
22 de dezembro foi o dia mais curto do ano; para D. L. Moody, seu alvorecer em
1899 conduziu-o para aquele dia que não conhece noite. Durante quarenta e
quatro anos, ele participara da vida divina, por isso a transição do visível
para o invisível, da esfera temporal para a eterna, não foi uma interrupção em
sua vida. Em outras dimensões ele continuou a servir o Mestre, cuja causa amava
com devoção e servia com energia incansável.
Até poucas
horas antes do fim, Moody partilhou com a família a convicção de que ele estava
melhorando. No dia anterior, ele parecera mais nervoso que o normal, mas falou
alegremente a respeito de si mesmo. Respondendo a uma pergunta sobre se ele se
sentia bem, disse:
“Oh! Sim!
Deus é muito bom para mim - e minha família também.”
Nenhum homem
amava a sua família e seu trabalho mais devotadamente do que ele, e
frequentemente dizia:
“Minha vida
tem sido muito boa; não há posição de poder ou riqueza que possa me tentar a
abandonar o trono no qual Deus me colocou.” Não foi por estar cansado da vida
nem por querer parar de trabalhar que ele estava tão pronto para partir, pois
conhecia a alegria do serviço cristão como poucos haviam experimentado.
A chamada
final veio inesperadamente. Durante metade da noite, seu genro esteve ao lado
de seu leito velando-lhe o sono. Moody dormiu a maior parte do tempo. Às três
horas da manhã, seu filho W. R. Moody veio para junto dele. Durante algumas
horas, ele esteve inquieto e sem conseguir dormir, mas por volta das seis horas
da manhã ele se acalmou e adormeceu.
Cerca de uma
hora depois, ele acordou. De repente, seu filho o ouviu falar com palavras
lentas e bem medidas: “A terra desvanece – o
céu se abre diante de mim”.
O primeiro
impulso de seu filho foi tentar despertá-lo daquilo que lhe parecia um sonho.
“Não, Will,
não é um sonho”, ele disse. “É lindo !
É como um êxtase! Se isto é a morte, então é doce morrer! Não há tristeza aqui!
Deus está me chamando e eu preciso ir!”
Enquanto
isso, a enfermeira estava chamando a família e o médico, que havia passado a
noite na casa. Moody continuou a falar suavemente, parecendo que proferia de
outro mundo suas últimas mensagens aos entes queridos que estava deixando.
“Sempre fui
um homem ambicioso”, ele disse, “não para deixar-lhes riquezas ou propriedades,
mas para deixar-lhes muito trabalho a ser feito. Você cuidará de Monte Hermon;
Paul assumirá o Seminário, quando estiver um pouco mais velho; Fitt tomará
conta do Instituto, e Amber (seu
sobrinho) vai ajudar todos vocês no dia-a-dia dos negócios”.
Então,
pareceu como se ele estivesse enxergando além do véu, porque exclamou:
“Este é o meu
triunfo, este é o dia da minha coroação! Eu
o desejei por muitos anos.”
Então seu
rosto se iluminou, e ele disse numa voz extasiada de alegria: “Dwight! Irene! Eu vejo os rostos das
crianças” (referindo-se aos dois netinhos que Deus havia levado no ano
anterior).
Com isto ele
ficou inconsciente. Até então, nenhum medicamento lhe havia sido administrado.
Desta vez, ele recebeu estimulantes cardíacos e, em meia hora, se recuperou. Ao
recobrar a consciência, proferiu debilmente estas palavras: “Não há dor! Não há tristeza!”
Logo depois,
mais reanimado, ele acrescentou: “Se isto é morte, não é nada mau! É doce!”
Um pouco mais
tarde, de repente se erguendo no seu cotovelo, exclamou: “O que significa tudo
isto ? O que vocês todos estão fazendo aqui ?”.
Sua esposa
explicou que ele não tinha passado bem, e imediatamente tudo se esclareceu na
sua mente- e ele disse: “Que coisa estranha! Eu estive além das portas da morte, até os verdadeiros portais do Céu,
e aqui estou eu de volta de novo. É muito estranho!”
Um pouco mais
tarde, ele disse de novo: “Este é o
dia da minha coroação! É glorioso!”, e falou sobre o trabalho
que estava deixando para trás, designando seus dois filhos para tomar conta das
escolas de Northfield, e sua filha e genro, para o Instituto Bíblico de
Chicago. Quando lhe perguntaram qual seria a responsabilidade de sua esposa,
ele disse: “Oh, mamãe é como Eva, a mãe de todos nós!”
Em resposta
ao apelo urgente de que ele permanecesse mais um tempo com sua família, ele
disse:
“Não vou
jogar fora a minha vida. Ficarei o quanto Deus quiser que eu fique; mas se for
a minha hora, estou pronto”.
Depois disse
algo que demonstrou quão clara estava sua mente, porque comentou com deliberação:
“Hoje é dia 22 de dezembro, não é ? Hoje faz exatamente cinco meses que Irene
faleceu...e neste mesmo quarto”. Na verdade fora apenas havia quatro meses, mas
qualquer um poderia cometer tal erro.
Até a última
hora ele estava pensando nos seus e preocupando-se com eles. Voltando-se para
sua esposa, um pouquinho antes de partir, disse-lhe: “Isto é terrível para
você, mamãe; é um choque tremendo. Sinto muito por entristece-la desta maneira.
Prepare-s. É muito difícil ficar sob tanta ansiedade”.
Poucos
minutos antes do meio dia, ele estava visivelmente sucumbindo novamente. O
médico aproximou-se para aplicar uma outra injeção hipodérmica de
nitroglicerina, e Moody olhou para ele de um modo indagador e indeciso, e disse
de forma perfeitamente natural: “Doutor, eu não sei, mas o senhor acha que é
sensato fazer isto ?”. O médico respondeu que ele achava que seria bom.
“Bem”, disse
Moody, “só vai prolongar a agonia da minha família!” O médico desistiu, vendo
que a vida do paciente não poderia ser salva. Alguns minutos depois, Moody
sucumbiu para acordar na presença daquele a quem ele amava e tinha servido por
tanto tempo tão fielmente.
Não parecia
morte, pois adormeceu suave e tranquilamente; e não foi difícil imaginar a sua
recepção no outro mundo pela multidão de entes queridos que aguardavam a sua
chegada. A misericórdia de Deus envolveu todo o acontecimento de tal forma que
a realidade da morte e o seu aguilhão
foram totalmente removidos.
-Shorter
Life of D. L. Moody de A. P. Fitt, Moody Press.
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3-Últimas horas do incrédulo Voltaire
Quando
Voltaire- pensador e escritor mundano francês- sentiu o duro golpe que o
levaria à morte, ficou possuído de remorso. Recorreu imediatamente a um
sacerdote e expressou seu desejo de se “reconciliar com a igreja”. Seus
bajuladores, infiéis como ele, correram ao seu quarto para impedir que ele se
retratasse, mas isso serviu apenas para que testemunhassem sua própria
ignomínia e a dele. Ele os esconjurou face a face e, como sua aflição
aumentasse com sua presença ali, ele exclamou várias vezes em voz alta: “Fora ! Foram vocês que me trouxeram a
esta condição. Deixem-me. Repito- vão
embora ! Que glória infame foi essa que vocês prepararam para mim !”.
Esperando
aliviar sua angústia por meio de uma retratação escrita ele a preparou, assinou
e a viu atestada. Isso tudo, porém, foi inútil. Durante dois meses ele se viu
torturado por uma intensa agonia que o levava às vezes a ranger os dentes sob a
fúria impotente contra Deus e os seres humanos. Outras vezes, em tom súplice,
clamava: “Ó Cristo! Ó Senhor Jesus!”. Em seguida, voltava o rosto de lado e
gritava: “Devo morrer- abandonado por Deus e pelos homens!”.
Ao aproximar-se
o fim, sua condição se tornou tão chocante que seus amigos descrentes tinham
medo de se aproximar de seu leito. Entretanto, bloquearam a porta para impedir
que outros vissem a forma horrível como um infiel era obrigado a morrer. Até
mesmo sua enfermeira dizia repetidamente que
nem por toda a riqueza da Europa ela jamais voltaria a ver outro incrédulo
morrer. Foi uma cena de horror que vai além de todo o exagero.
Tal foi o
comprovado fim desse homem que possuía um intelecto privilegiado, excelente
educação, grande riqueza e muita honraria mundana.
-Em O Contraste Entre a Infidelidade e o
Cristianismo.
(Do Livro: O que eles disseram a um passo
da eternidade (organizador: John Myers)- Editora D’Sena- 2002-)- Neste livro
encontramos 219 relatos de homens e mulheres, dentre fieis a Deus e incrédulos,
rebeldes ao cristianismo, nos seus últimos momentos neste mundo.
Espero que gostem destes dois textos retirados do livro O que eles disseram a um passo da eternidade.
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